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Trocar o gás pelo diesel em termelétricas é caro e mais poluente, avaliam especialistas

Arles Peter

Uma das saídas para evitar riscos de desabastecimento de energia elétrica gerada por meio do uso do gás natural seria tranformar em bicombustíveis as usinas termelétricas e utilizar outras fontes, como o óleo diesel, na operação.

No entanto, a solução – cogitada após a redução no fornecimento de gás para postos e indústrias no Rio de Janeiro e em São Paulo – é considerada “a pior possível”, por pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil.

O professor Ivan Camargo, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que investir em diesel para o funcionamento das termelétricas só seria justificável em situações extremas, o que segundo ele não é o caso atual. Para o pesquisador, o Brasil vive uma situação energética “muito mais confortável” que em 2001, época do “apagão”, quando houve racionamento de energia.

“Diversificar a matriz energética com o gás natural foi uma escolha inteligente. Substituí-lo agora por diesel é a pior opção possível. Só seria razoável num situação de total falta de energia, de total emergência”, acrescentou.

O pesquisador Luis Bambace, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), considerou a solução “cara e extremamente poluente”. E lembrou que a troca não poderia ser aplicada imediatamente, por causa da necessidade de mudanças estruturais nas usinas.

De acordo com Bambace, por ser menos volátil (mais pesado), o diesel necessita de uma área de evaporação muito maior que outros combustíveis para ser queimado e gerar energia elétrica. O pesquisador listou soluções como a instalação de injetores para fazer o diesel chegar direto às turbinas das usinas ou a mistura de água e sabão no combustível, para aumentar a área de evaporação e facilitar a queima.

“Outra mudança possível seria craquear o diesel antes que ele entrasse na turbina. Neste caso, seria necessária uma unidade auxiliar, uma refinaria na usina”, informou. O craqueamento é um processo de transformação do combustível mais pesado em um mais leve e de mais fácil evaporação.

Ele acrescentou que todas as alternativas para transformação das termelétrias em bicombustíveis "são caras, além de problemáticas do ponto de vista ambiental".

Para o professor da UnB, Ivan Camargo, outra conseqüência da substituição do combustível nas termelétricas seria o aumento do preço da energia para o consumidor: “A energia proveniente do gás natural já é uma energia mais cara que a hidrelétrica. Mudar para diesel é subir ainda mais esse preço.”

De acordo com Camargo, “o mais dramático” é que o consumidor não sente as consequências imediatamente e não é estimulado a consumir menos energia para economizar na conta. “O efeito é retardado, porque isso só vai ser sentido na próxima revisão tarifária, o que só deve acontecer no ano que vem”, avaliou. (Fonte: Luana Lourenço / Agência Brasil)

 

 

 

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