O Brasil já tem sua primeira planta transgênica. A Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a multinacional química Basf anunciaram nesta terça-feira (07), um contrato para o desenvolvimento comercial de uma variedade de soja geneticamente modificada, tolerante a herbicidas. A expectativa é colocar o produto no mercado até 2012. Leia reportagem completa na edição desta quarta-feira (08) de O Estado de S. Paulo.
A nova soja contém um gene da planta Arabidopsis thaliana (uma planta modelo de laboratório, muito utilizada em pesquisas no mundo todo) que confere resistência a uma classe de herbicidas chamada imidazolinonas. Dessa forma, o herbicida pode ser aplicado para o controle de ervas daninhas sobre toda a lavoura, sem prejuízo para a soja.
As imidazolinonas são concorrentes diretas do glifosato, herbicida que é a base da tecnologia Roundup Ready (RR), da Monsanto - empresa que domina o mercado de plantas transgênicas no mundo todo.
Ainda sem nome comercial, a soja foi desenvolvida inteiramente no Brasil, sob a coordenação do geneticista e engenheiro agrônomo Elibio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. O gene (chamado ahas) é patenteado pela Basf, mas a tecnologia de transformação genética da planta foi desenvolvida por Rech e patenteada pela Embrapa no Brasil.
A parceria foi iniciada em 1997, mas só agora a pesquisa chegou a um ponto em que as empresas se sentem confiantes de que ela tem viabilidade comercial.
A “planta mãe”, batizada de Evento 127 (a melhor entre mil que foram transformadas com o gene), foi selecionada há cerca de três anos, e toda a pesquisa, desde então, tem sido desenvolvida a partir dela. Vários testes de biossegurança já estão em andamento, tanto na área ambiental quanto alimentar.
Com os resultados em mãos, o pedido de liberação comercial deverá ser encaminhado para avaliação pela CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. “Estou muito feliz pelo Brasil; é uma demonstração de que somos capazes de produzir algo de alta tecnologia e com alto valor agregado”, disse Rech. Os royalties provenientes da venda da tecnologia serão divididos meio a meio entre a Embrapa e a Basf.
O gerente de biotecnologia da Basf no Brasil, Luiz Carlos Louzano, acredita que a nova soja poderá ganhar até 20% do mercado brasileiro. É a primeira planta transgênica da empresa, concorrente da Monsanto. “Queremos oferecer uma opção que seja economicamente e tecnologicamente interessante para o sojicultor”, disse. (Estadão Online)
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